*ATENÇÃO! por ser um tema sério gostaria de frisar que são conclusões amadoras, não usem como verdade absoluta
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"Eu sei que você me ama, mas você gosta de mim?"
Da serie de pensamentos que alimentei essa semana, graças ao recente filme que assisti "Lady Bird ", demorei mas assisti kakak, o que mais me causou impacto foi o
por que mães odeiam suas filhas?
De onde surge todo esse rancor, frustração e agressividade?
De novo com minhas pesquisas superficiais e noias da minha cabeça, trago a triste noticia que não encontrei uma explicação generalizada, há muitos motivos.
Alguns motivos que encontrei são: a projeção que as mães tem nas filhas, as expectativas que normalmente os pais projetam nos filhos, machismo estruturado na nossa sociedade, algumas mães tem a necessidade de controlar as ações e vida por completo das filhas e quando surge conflitos causados pela busca da liberdade, desestabiliza o relacionamento; traumas passados, e tbm problemas mentais que elas podem ter (um exemplo muito recorrente é o caso das mães narcisistas), e outras tantas causas...
(Um adendo é que em uma sociedade conturbada e repleta de inseguranças em quesitos de, instabilidade financeira, não saber se no dia de amanhã vc e seus filhos terão comida e uma casa para morar, os problemas que já seriam presentes naturalmente na sociedade, só se intensifica. Somos obrigados a olhar apenas para a utilidade social das pessoas, como é bem retratado no livro "A metamorfose")
O filme Lady Bird é um bom retrato desses relacionamentos conturbado, além de tratar outros problemas que acabam surgindo na adolescência, como relacionamento abusivo entre professores e alunos, problemas da vida adulta, abuso de drogas, famílias conturbadas e preconceito em uma sociedade majoritariamente cristã ( perspectiva de uma pessoa inserida na sociedade brasileira)
E esse ultimo ponto é o principal a qual queria falar, como ser queer numa sociedade alimentada por dogmas cristãos, afetam ainda mais os relacionamento entre mães e filhas. E dessa vez espero que fique claro os motivos, mas caso não, a homofobia é um agravante gigantesco entre relacionamentos familiares conturbados.
E agora juntando esses dois agravantes, quando uma filha queer se depara com uma mãe que já havia preparado todo o roteiro inteiro da vida dela: crescer vestindo belíssimos vestidos cor de rosa, ser uma varoa firme na palavra do senhor, crescer se apaixonar por um amigo de infância igualmente crente e fiel, ou até mesmo outro jovem de valor e crente, se casarem, terem uma vida mais o menos estável, terem lindos filhos e viverem felizes para sempre. De fato parece um sonho e uma vida maravilhosa para se ter, nada seria melhor que isso. Quando essa filha busca essa tal liberdade
Causa um atrito
O projeto desmorona pq a filha não quer seguir o plano, de repente, ela quer sair da igreja, não quer mais servir a deus, não quer se portar tal qual a filha dos sonhos. E ai só deus pra contar os diversos problemas que as duas iram ter daqui pra frente...
(E de novo outro adendo, é que não estou invalidando os problemas mentais que essas mães tem, e a minha principal duvida é pq de elas replicarem esses comportamentos ou de faze-los, mas acredito que apesar de sua vida conturbada e sofrida, ninguém tem culpa de vc ser uma pessoa ruim, apesar das dificuldades, são muito os casos de pessoas que passaram por coisas horríveis, e nem por isso descontam suas frustrações nos outros, e acho que isso só se torna ainda mais válido quando passamos para o papel de pais e filhos, mas tbm é obvio que existem filhos que são pessoas horríveis, o meu ponto de aplica a ambas as partes.)
E aproveitando para fazer uma resenha sobre o filme, a Lady bird é uma garota, até onde mostrado, hétero, então querendo ou não, são vivencias diferentes,
Por isso, mesmo que alguns problemas que me geraram simpatia, fossem demonstrados com clareza dentro do relacionamento de mãe e filha, o personagem que mais me tocou, me gerou impacto e certa identificação foi o Danny, o que é um tanto cômico, mas o fato de ele ter a opressão vinda de casa decorrente de uma vivencia e estrutura religiosa, infelizmente é a realidade de muitas pessoas queer no brasil.
O que querendo ou não, geram uma camada de problemas mais profunda, (como, exclusão dentro de casa,) e muitas vezes a única barreira para um entendimento, seja exatamente o ponto que o preconceito não deixaria nunca ser resolvido, o que se torna uma questão frustrante, cansativa e de solução inalcançada.
Afastando talvez um pouco do tema, mas é impossível falar sobre preconceito e dinâmicas sociais e não falar sobre papel de gênero, como a Simone de Beauvoir já disse em seu livro O Segundo Sexo: Não se nasce mulher: torna-se mulher.
"Autora, o que você quer dizer com isso?" Não que você de fato tenha se perguntado, mas a frase diz sobre, tornar-se mulher, não é de hoje que sabemos que gênero é performático, esses padrões de o que torna mulher, mulher, e homem, homem, muda se anos em anos, saltos foram feitos originalmente para os homens, a cor rosa já significou masculinidade, e nos anos 90, cropped era dos homens, porém as mulheres sempre foram sujeitadas a padrões de beleza que os homens desejassem que elas tivessem, mulheres sempre foram apenas lidas como produtos de satisfação ao olhar masculino, dependendo da localização poderia haver divergência em como esse padrão se expressava, mas sempre com a mesma finalidade.
E a lesbofobia e a LGBTfobia são um reflexo direto dessa sociedade machista, frases como "Ela só não encontrou o cara certo ainda" e "para de ser bixa", só reforçam ainda essa conclusão, para um homem ser lido como "querer ser mulher" é uma ofensa, vergonhoso, para uma mulher, não viver em pró dos olhares e desejo masculino, é uma falta de utilidade.
É doloroso saber que muitos dos direitos e respeito que conseguimos conquistar, como mulher, ser despedaçado por outras mulheres, é penoso saber que muitos dos direitos e respeito que conseguimos, como lgbtqiapn+, estão sendo tirados e invalidados por pessoas que se dizem "já ter sido da comunidade".
Sou péssima com conclusões, mas um adendo final sobre esse assunto
Ignorância na nossa atualidade é influenciada e vendida, conhecimento não é fácil ou feliz de conseguir, mas com tanto conhecimento enlatado num único dispositivo que temos acesso a todo momento, não saber, ou não ter curiosidade em aprender, é puro desleixo.
Trazendo novamente um aviso, recomendo sempre que todos façam seus próprios estudos sobre todos os tipos de informações, sempre sejam críticos e tentem chegar às próprias conclusões, a fim de evitar a manipulação ou desinformação, aprender nunca é demais!
Beijinhos beijinhos <3





